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quinta-feira, 17 de abril de 2014

As rememorações espontâneas de vidas transatas são um argumento bastante importante


As rememorações espontâneas de vidas transatas são um argumento bastante importante

O PORQUÊ DA REENCARNAÇÃO

Fabiano Possebon



As rememorações espontâneas de vidas transatas são um argumento bastante importante e favorável à reencarnação. Podemos dizer que as teorias materialistas ou unicistas são acanhadas em tentar explicar esse fenômeno.

Essas lembranças estão efetivamente comprovadas em levantamentos idôneos realizados por pesquisadores eméritos em diversos países. Só para citar um exemplo: Dr. Ian Stevenson, autor do famoso “Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação”, desencarnado este ano, catalogou mais de mil casos.

Ocorrem lembranças não intencionais, como no caso Manika, já lançado em vídeo, também no filme “Minha Vida na Outra Vida”, ambos baseados em casos reais, o DVD deste último contém extras com depoimentos de espíritas famosos e uma interessante seleção de fotos.

Ocorrem também lembranças espontâneas através de reencontros, de repetição de situações, desde a sensação de “déjà vu” até as cenas minuciosas, recordações surgidas pela presença de objetos antigos, ou então durante sessões de TVP.

Recordações aparecem também, muitas vezes, provocadas pelos espíritos bons, para entendermos certas circunstâncias da vida atual, quer por clarividência quer por informações através do canal mediúnico ou senão hipnose.

Algumas lembranças são fragmentárias, podem surgir em sonhos, no entanto, outras são bem completas, precisas e claras.

Há evidências, outrossim, no domínio paranormal de um idioma estrangeiro, conhecimento inato de ciências ou fatos, predição de futuro nascimento e que certas circunstâncias acabam comprovando, como vemos em “Vozes do Antigo Egito”, de Francisco Waldomiro Lorenz.

A reencarnação, só ela, explica as desigualdades morais e intelectuais entre as criaturas, as aptidões, as tendências e idéias inatas; ela funciona como um instrumento de aperfeiçoamento e de redenção do homem na sua qualidade de espírito eterno.

O seu objetivo é fazer com que sejam desenvolvidas as faculdades da alma, a inteligência, sobretudo as aptidões; fazer com que o indivíduo melhore sucessivamente pelo cansaço e exaustão do mal, assinalando exemplos e realizando experiências; influir cada alma, pelos valores assimilados (culturais, intelectuais sentimentais, morais) no progresso da humanidade como um todo, também permitir que se cumpram, através das provas e experiências necessárias, a lei de causa e efeito.

A reencarnação não deve nunca ser vista como castigo, ela é, isso sim, uma oportunidade de ajustamento, corrigindo imperfeições, reabilitando-nos. O seu propósito é a reparação com vistas ao progresso e não o sofrimento. Ela é, fundamentalmente, condição de progresso.

Só mesmo a reencarnação explica os gênios precoces da arte e da ciência, conhecedores da história universal aos dois anos, poliglotas aos três, artistas consumados aos oito e assim por diante!

Uma coisa é certa: o arrependimento puro e simples não traz o alívio desejado, pois a criatura estaria pronta a repetir os mesmos erros. Se o arrependimento surge na vida física ou extrafísica e é sincero, brotará, naturalmente, o desejo de reparação em outra existência. E, nesse caso, o espírito prepara-se para as provas e expiações necessárias. Isto responde à afirmação de muita gente que diz não haver pedido para nascer. Pediu sim, como não?!!

Espero que este artigo atinja o seu escopo, que é o de tecer apenas alguns breves comentários sobre esta bênção maravilhosa que é a reencarnação.

Fonte: Verdade e Luz, edição n°. 259, Agosto de 2007

Federação Espírita do Estado de Mato Grosso 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Flagrante de Adultério

Flagrante de adultério



Já são 43 anos investigando casos de traição. Maridos e mulheres infiéis que se cuidem: alguém pode estar de olho. Detetives nos anúncios de jornal prometem investigações rápidas e discretas. Antigamente – 20, 30 anos atrás – eram quase só casos de mulheres querendo saber se o marido traía. Hoje, quase 50% dos clientes são homens querendo saber se a mulher é infiel. E esses são, sem dúvida, os casos mais complicados. "A mulher é difícil. Em uma semana de investigação eu pego o homem. A mulher, eu levo dois, três meses", diz a detetive particular Ângela Bekeredjian. "Acho que as mulheres são mais inteligentes".
Se as mulheres traem com mais competência, essa não é a única diferença entre os clientes.
"O homem chega mais retraído, por vergonha de se sentir traído. A mulher já chega falando mal do marido. Dizem: 'Aquele sem-vergonha' Tenho certeza de que ele me trai porque chega com batom no colarinho'", conta Ângela Bekeredjian.
A detetive particular mostra as imagens de uma das investigações mais recentes. Vinte anos atrás, seria um caso raro. O marido contratou Ângela para investigar a mulher, que estava num hotel-fazenda na beira da praia. Ela tinha dito para o marido que iria participar de um congresso no Nordeste, mas estava tendo um caso com um colega de trabalho. As câmeras dos detetives acompanhavam tudo.
"Nós estávamos por fora, em cima do muro e de longe. Naquele momento só os dois estavam lá dentro. Se ficássemos, dava para ver que estávamos investigando", diz Ângela Bekeredjian. As imagens foram gravadas no segundo dia de investigação.
Muitas vezes, a detetive tem que se envolver com a vítima do flagrante.
"Ela foi ao cabeleireiro fora do hotel. Eu fiz meu cabelo também. Foi quando comecei a pegar amizade com ela, porque o agente estava filmando. Ela não desconfiou de nada", conta Ângela Bekeredjian. "Era um congresso a dois. Ela inventou o congresso", diz a detetive particular.
Confirmada a traição, o cliente não quis saber de conversa e pediu a separação. Mas nem sempre o marido termina a história pacificamente.
"Às vezes, ele se torna violento. Tem muitos homens que têm amantes e não aceitam que a mulher traia. Depende da personalidade e do caráter de cada um. Alguns são violentos", conta Ângela Bekeredjian.
Não é o perfil do comerciante Renato, que estava casado há seis anos e continuava apaixonado pela mulher, mas começou a desconfiar que o contrário não era verdadeiro. "Eu me ausentei muito na época. Estava viajando muito e não parava em casa. Você nota que é o comportamento é diferente, as coisas começam a mudar", diz.
Renato resolveu contratar um detetive particular e descobriu. "A sensação não é agradável. Você tem a suspeita, mas nunca espera que seja real". E o pior é que o outro era um amigo dele. "É uma mistura de frustração com raiva. É uma bagunça".
Renato afirma que em seis anos de casamento nunca traiu a mulher. "A gente brinca de dizer 'pior que não'. Eu não tinha necessidade disso", garante.
Seria difícil esconder se não fosse verdade. Pelo menos é o que reza a velha filosofia de um detetive.
"Quando existe alguma coisa fora do casamento, parece que a gente sente. O ser humano muda. É a mesma coisa com a criança que ganha um brinquedo novo", compara Ângela Bekeredjian. Brincadeira que o detetive tem como missão estragar.
Um flagrante difícil. Um noivo desconfiado contratou a detetive 15 dias antes do casamento. Nas imagens mostradas por ela, o casal está num restaurante. A noiva já tinha avisado o noivo que a mãe dela não estava passando bem e que talvez tivesse que sair de repente.
"Aí, o telefone tocou, e ela foi atender", conta Ângela Bekeredjian.
A noiva sai da mesa.
"Ela volta e diz que vai ter que chamar um táxi. O táxi chega e ela entra", descreve Ângela.
Os detetives acompanham de motocicleta.
"Eles param num posto de gasolina. O taxista desce com ela e tira o emblema do carro. Eles entram na loja de conveniência. Eu fico perplexa de ver uma coisa dessas", diz a detetive diante do beijo da traição (foto).
Ela estava traindo o noivo com o taxista. Os detetives continuam filmando até que o casal vai para um motel. "Quer saber do final? Eu chamei o rapaz, e ele foi com a mãe ao motel. Eles fizeram o flagrante e cancelaram o casamento, claro”, conclui a detetive.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Galeano: “Eu não seria capaz de ler de novo ‘As Veias Abertas…’, cairia desmaiado”

Galeano: “Eu não seria capaz de ler de novo ‘As Veias Abertas…’, cairia desmaiado”

(Galeano em Brasília. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Em 1998, entrevistei a escritora Rachel de Queiroz (1910-2003) e ela me confessou sentir “antipatia mortal” por O Quinze, o clássico da literatura brasileira que publicou aos 20 anos, em 1930, e que, desde então, seria sua “obra mais importante e mais popular” (tudo quanto é enciclopédia se refere assim ao livro). O mesmo acontece com As Veias Abertas da América Latina e o escritor uruguaio Eduardo Galeano.  Publicado em 1971, quando Galeano tinha 30 anos, a obra até hoje o persegue. É sempre nomeado como “o autor de As Veias Abertas…“, o que, pelo visto, o incomoda mesmo porque tem mais de 30 livros além dele.
Na entrevista coletiva que deu na sexta-feira 11 em Brasília, onde veio para ser o escritor homenageado da 2ª Bienal do Livro e da Leitura, Galeano ouviu provavelmente a milionésima pergunta sobre Veias Abertas. “Faz 40 anos que você escreveu As Veias Abertas da América Latina. Quais são as veias abertas hoje em dia?” E ele, em um português bastante razoável: “Seria para mim impossível responder a uma pergunta assim, especialmente porque, depois de tantos anos, não me sinto tão ligado a esse livro como quando o escrevi. O tempo passou, comecei a tentar outras coisas, a me aproximar mais à realidade humana em geral e em especial à economia política porque As Veias Abertas tentou ser um livro de economia política, só que eu ainda não tinha a formação necessária. Não estou arrependido de tê-lo escrito, mas é uma etapa superada. Eu não seria capaz de ler de novo esse livro, cairia desmaiado. Para mim essa prosa de esquerda tradicional é chatíssima. O meu físico não aguentaria. Seria internado no pronto-socorro… ‘Tem alguma cama livre?’, perguntaria.” Risadas.
Aproveito e emendo: mas o que você achou de Chávez dar o livro para o Obama? Obama entenderia As Veias Abertas…? “Nem Obama nem Chávez”, responde Galeano para gargalhada geral. “Claro, porque ele entregou a Obama com a melhor intenção do mundo Chávez era um santo, cara mais bondoso que esse eu não conheci, mas deu de presente a Obama um livro em uma língua que ele não conhece. Então, foi um gesto generoso, mas um pouco cruel.”
Eu nunca tinha visto o grande escritor uruguaio de perto. É mais baixo do que imaginava, cerca de 1m70. Bastante frágil, aparenta ter mais do que seus 73 anos. Ele mesmo comenta que a maioria dos escritores é de esquerda e, como tal, chegados a uma boemia e isso não faz bem à saúde… Uma menina pergunta: “A idade não é boa para os jogadores de futebol. E para os escritores?” Galeano discorda. “Depende. Tem velhos muito mais jovens que os velhos velhíssimos e tem velhos que você acha que estão esperando a morte e surpreendentemente acabam ganhando uma partida por 8 a zero. Não depende da biologia nem do prognóstico dos profetas. Não depende de ninguém. O melhor que o futebol tem como esporte a festa que o futebol é, a festa das pernas que jogam, a festa dos olhos é a capacidade de surpresa, de assombro. Na verdade ninguém sabe o que vai acontecer. E menos ainda os especialistas. Aqueles doutores do futebol são seres temíveis, perigosíssimos para a sociedade e o mundo em geral.”
Outro jornalista espeta: “Por que a esquerda não deu certo na América Latina?” Galeano não se faz de rogado: “Algumas vezes deu certo, algumas vezes, não. A realidade é mutável, a realidade política e todas as outras por sorte. Senão seríamos estátuas, estaríamos congelados no tempo. Não é verdade que a esquerda não deu certo. Deu certo e muitas vezes foi demolida por ter dado certo, por ter tido razão, porque o que a esquerda predicou, em certo momento na América Latina, resultou ser a verdade, então foi punida. Punida pelos golpes de Estado, ditaduras militares, períodos prolongadíssimos de terror de Estado, crimes horrorosos cometidos em nome da paz social, do progresso. Da convivência democrática, imaginem! Que democracia e que convivência são essas? Tinham que perguntar: ‘do que está falando, senhor?’ As coisas são muito mais complexas do que parecem. Em alguns períodos, também, a esquerda comete erros gravíssimos e em outros, não, faz o que deve ser feito da melhor maneira, até além do que o próprio movimento de massas estava esperando. A realidade sempre tem esse poder de surpresa. Te surpreende com a resposta que dá a perguntas nunca formuladas. E que são as mais tentadoras. O grande estímulo para a vida está aí, na capacidade de adivinhar possíveis perguntas não formuladas.”
Galeano está cansado, foram muitas horas de viagem para chegar à capital federal, e quer encerrar a entrevista. Eu protesto: “Mas e Mujica? Você não vai falar de Mujica?” Ele não resiste e se senta de novo. “Estou meio cansado, estou fatigado de falar de Mujica, porque todo mundo fala dele! Até em outros planetas se fala de Mujica. Em Marte, Júpiter… É incrível a capacidade de ressonância que Mujica tem. E ele é muito meu amigo, já faz muitos anos. A única coisa que posso fazer para incorporar um grão de areia a esta praia imensa de Mujica caminhando pelo mundo seria contar uma piccola história que dá ideia da qualidade humana do personagem.”
E começou a narrar, saborosamente, como é de seu feitio:
“Faz uns quatro anos não tenho interesse em lembrar direito a data fui operado de câncer. Foi um câncer sério, agudo. Tomei uma anestesia muito forte, dessas que não desaparecem rápido. E estava sozinho na cama do hospital, esperando que passasse o efeito da anestesia. Ou seja, mais dormido do que acordado. Sem saber muito o que acontecia, onde estava, delirando. E neste período, estando sozinho em uma cama sozinho, não, acompanhado pelo câncer, mas o câncer não é um amigo confiável. Não te recomendo. Bem, estava eu ali e volta e meia delirava. Como sou muito futeboleiro, um religioso da bola, tinha delírios futebolistas que me levaram aos anos de infância, quando jogava na rua, com bolas improvisadas, feitas com trapos velhos. E em uma dessas fugas, comecei a bater bola. Como se fosse uma múmia egípcia que tinha errado de domicílio, jogando futebol contra ninguém e sem bola nenhuma, só na imaginação. Chutava a bola e ela voltava, chutava e ela voltava. Tudo debaixo do lençol. E nada, a bola continuava, como se estivesse morta de riso da minha estupidez de achar que podia com ela. ‘Não, você não pode comigo’. Numa dessas, senti um peso em cima dos meus joelhos. Aí começo a recobrar a realidade e vejo alguém que conheço, uma voz que reconheço, de um amigo. E pergunto:
O que você está fazendo aqui?
E ele:
Isso é maneira de receber um amigo?
Não importa, quero saber o que você faz aqui. Está doente também?
Que é isso, estou saudabilíssimo. O enfermo é você.
Estou sabendo. Obrigado pela notícia, mas já estou sabendo.
O doente é você, está fodido, irmão. Eu vim te visitar. Agora, não sabia que se recebia um amigo assim, chutando-o, chutando-o e chutando-o. Não é muito educado.
Continuamos nessa até que eu falei:
Olhe, chega. Sua função não é estar aqui brincando comigo. Você é o presidente da Repoública e sua função é governar. Mujica, você é o presidente! Vai governar este país já! Estamos precisando de sua participação ativa, desinteressada, importantíssima para o nosso povo. Não perca mais tempo comigo.
Ah, bela maneira de ser amigo, hein?
Será bela ou será feia, mas é a única maneira para você. Você é o presidente! Além disso, para piorar, todo mundo gosta de você e quer que continue sendo presidente por uns 300 anos mais. Se você não gosta, foda-se.
E aí acabou.”
Na saída, consigo falar a Eduardo Galeano do enorme prazer que sinto em conhecê-lo pessoalmente e lhe conto que adoro O Livro dos Abraços. Ele olha para mim e diz: “Eu também”.
Ufa.
Publicado em 14 de abril de 2014

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Lítio e Tratamento Psiquiátrico

Lítio e Tratamento Psiquiátrico

Indubitavelmente, o Lítio para o tratamento do Transtorno Bipolar ainda é uma indicação reconhecida.
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Embora o Lítio tenha sido utilizado no tratamento de várias condições neuropsiquiátricas nas últimas três décadas, é particularmente benéfico para o tratamento agudo da mania e, normalmente, para a profilaxia e tratamento da depressão nos pacientes bipolares. Os textos seguintes foram resumidos e compilados do Journal of Clinical Psychiatry 2000, 61 - suplemento 9, objetivando a atualização sobre a neurobiologia e a psicofarmacoterapia do Lítio.
A especificidade e resposta satisfatória do Lítio no Transtorno Bipolar do Humor pode ser útil na elucidação da fisiopatologia desse transtorno e, muito possivelmente, levar ao desenvolvimento futuro de drogas mais eficientes. Com base em revisão bibliográfica os autores participantes do Journal of Clinical Psychiatry 2000, 61 - suplemento 9*, atestam que o Lítio é, ainda hoje, a droga mais eficaz para o tratamento do Transtorno Bipolar.

O diagnóstico diferencial do Transtorno Bipolar de início na juventude pode ser complicado pela sintomatologia freqüentemente superposta ao Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. Charles L. Bowden demonstra que o Lítio revolucionou tanto o tratamento quanto o estudo fenomenológico do Transtorno Bipolar e mostra também, que o Lítio é cada vez mais utilizado em regimes combinados de tratamento, freqüentemente permitindo doses menores e mais bem toleradas, aliadas aos benefícios complementares de drogas com diferentes perfis de ação.
As fases depressivas do Transtorno Bipolar podem ser bastante incapacitante, com significativa comorbidade e associadas a elevado risco de suicídio, prejuízo funcional e redução da qualidade de vida. O autor e seu colega, Michael T. Compton, revisam as evidências atuais para manejo da Depressão Bipolar mais efetiva com lítio.
A depressão unipolar é uma grave doença recorrente, com elevada morbidade ao longo da vida e elevada mortalidade precoce devido ao suicídio. De acordo com Alec Coppen, vários ensaios duplo-cegos e controlados por placebo demonstram que o Lítio é eficaz na redução de recidivas das crises agudas em pacientes com depressão unipolar quando utilizado como terapia de manutenção.
Efeitos colaterais do Lítio são comuns, porém, geralmente benignos, reporta David L. Dunner. Esse autor divide os efeitos colaterais do Lítio em aqueles que;
– ocorrem precocemente no tratamento,
- aparecem tardiamente,
- são relacionados a interações com outras drogas e
- são devidos à sua toxicidade.
O reconhecimento e tratamento precoces dos efeitos colaterais são aspectos importantes da farmacoterapia com Lítio. Husseini K. Manji e colaboradores notaram que avanços recentes no conhecimento da biologia celular e molecular resultaram na identificação de dois recentes alvos de ação do Lítio. Essas descobertas podem exercer grandes impactos sobre o uso futuro deste cátion na biologia e medicina. Sugerem o uso do Lítio como agente neurotrópico e neuroprotetor no tratanento em longo prazo de transtornos do humor.

Em situações clínicas, uma avaliação do risco de suicídio deve preceder qualquer tentativa de tratar doenças psiquiátricas, adverte Kay Redfield Lamison. Ela discute outros fatores de risco para o suicídio e atesta que, com exceção do Lítio, pouco se sabe sobre contribuições específicas de tratamentos que possam reduzir as taxas de mortalidade em pessoas com graves Transtornos do Humor e, em particular, na Depressão Bipolar.
Como o risco de suicídio associa-se, preferentemente, a episódios depressivos ou bipolares mistos, Leonardo Tondo e Ross J. Baldessarini afirmam que a melhor proteção contra a Depressão Bipolar será a chave para reduzir o comportamento suicida no Distúrbio Bipolar. Sua revisão de 22 estudos, entre 1974 e 1998, mostra taxas de suicídio sete vezes menor em pacientes sob tratanento com Lítio, em longo prazo, do que nos pacientes que não estavam recebendo esse tratamento ou após a sua suspensão.
A eficácia do Lítio no tratamento da mania e da Depressão Bipolar e na reversão do quadro em pacientes não responsivos a antidepressivos está claramente bem estabelecida. Embora o perfil de tolerabilidade à droga não seja o ideal, há poucas dúvidas de que o Lítio tenha sido literalmente um salva-vidas para milhares de pacientes.
A Especificidade Psicofarmacológica do Íon LítioDe 1949, quando foi introduzido no arsenal terapêutico da psiquiatria até hoje, o Lítio foi avaliado no tratamento de várias condições neuropsiquiátricas mas, indubitavelmente, é no tratamento do Transtorno Bipolar que se tornou mais eficaz e indicado. Isso sugere que ele possua especificidade para o tratamento desse transtorno.
Os achados em pesquisas que atestam a eficácia do Lítio são muito relevantes, visto que a compreensão de seu mecanismo de ação no Transtorno Bipolar possa ser a chave para a elucidação de sua fisiopatologia e para o desenvolvimento de tratamentos mais modernos e eficazes. Os autores revisam os dados publicados sobre a eficácia do Lítio no Transtorno Bipolar e em várias outras condições neuropsiquiátricas e também os dados disponíveis sobre anticonvulsivantes e agentes terapêuticos mais modernos no tratamento desta condição.
O Lítio é, em geral, a droga mais eficaz para o tratamento da Mania Aguda, produzindo melhora em cerca de 70 a 80% dos pacientes. As taxas de resposta variam em diferentes tipos de Transtorno Bipolar. Nos estados maníacos puros e típicos o Lítio é muito eficaz, enquanto nas manias de tipo mista, atípica e/ou secundária ou reativa, as taxas de resposta tendem a ser mais baixas, com descrições de valores entre 29 e 42%. Em conclusão, o Lítio é a droga mais eficaz nos quadros típicos, sugerindo especificidade nessa condição.
Muitos estudos, tanto abertos quanto controlados, têm documentado a eficácia do tratamento com Lítio na profilaxia das fases maníaca e depressiva do Transtorno Bipolar. As características clínicas de estados maníacos clássicos e mania seguida de eutimia ou depressão predizem um bom prognóstico para a profilaxia com Lítio. A presença de história familiar de transtornos de humor também é um fator positivo de resposta. Porém, estados mistos, quadros disfóricos, cicladores rápidos, grande número de episódios anteriores e mania secundária a comorbidades podem indicar resposta pobre ao Lítio. Desse modo, o Lítio pode ser considerado altamente eficaz nos Transtornos Bipolares de tipos I e II (DSM.IV).
Na depressão por Transtorno Bipolar, o Lítio apresenta bons resultados, porém não é tão eficaz quanto antidepressivos. Pode ser usado em combinação com antidepressivos além de ser mantido em manutenção para profilaxia de novos surtos. Na Depressão Unipolar, é menos efetivo do que na bipolar, porém é a droga mais utilizada na potencialização dos antidepressivos, nos casos de depressão resistente.
No Transtorno Esquizoafetivo, quanto mais proeminente o componente afetivo, mais evidente é o benefício do Lítio. Na Esquizofrenia, o Lítio parece ser um bom coadjuvante nos casos de aceleração psicomotora e de periodicidade.
O Lítio mostra efeitos benéficos nos casos de agressividade, em particular, na agressividade cíclica. Nos abusos de álcool e drogas ilícitas, há relatos em estudos abertos de algum benefício, embora não sejam dados controlados. O mesmo pode ser referido em relação aos transtornos alimentares, compulsividade e estados de hipersonia.
Outros agentes terapêuticos têm sido descritos no tratamento do Transtorno Bipolar: entre eles, os anticonvulsivantes, tais como a carbamazepina, o valproato, lamotrigina e gabapentina, os bloqueadores de canal de cálcio (verapamil e nimodipina) e os antipsicóticos haloperidol, risperidona, olanzapina, aripipazol.
Quaisquer desses agentes descritos podem ser associados ao Lítio, existindo base científica sugerindo benefício adicional, porém, ensaios clínicos mais sistemáticos são necessários para o desenvolvimento de uma terapia combinada mais racional.
O Transtorno Bipolar e o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade em Crianças e AdolescentesA relação entre Transtorno Bipolar e Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) em crianças e adolescentes, recentemente, foi um dos tópicos mais intensamente debatidos na literatura sobre psiquiatria infantil. O centro do problema é saber se um grande número de crianças com Transtorno Bipolar não está sendo reconhecido ou está sendo erradamente diagnosticado.
O diagnóstico diferencial do Transtorno Bipolar de início na juventude pode ser complicado por muitos fatores. Mas os dilemas clínicos mais comuns parecem surgir da superposição da sintomatologia com TDAH e as diferentes estratégias de tratamento que esses diagnósticos implicam. Há semelhanças e diferenças entre esses transtornos no que diz respeito à fenomenologia, epidemiologia, história familiar, exames de imagem cerebral e resposta ao tratamento.
Uma série de estudos de Harvard indica que a freqüência do Transtorno Bipolar em jovens pode ser muito maior do que previamente publicado. Com base em questionários administrados na clínica de diagnóstico e acompanhamento de TDAH, 22% dos pacientes preencheram critérios para Transtorno Bipolar, elevando-se para 30% se os pacientes tivessem o TDAH com comorbidade com Transtorno de Desafio e Oposição.
Os critérios diagnósticos pela DSM-IV para Transtorno Bipolar e TDAH sobrepostos com sintomas, tais como loquacidade, distração e agitação psicomotora podem ser difíceis de serem discernidos clinicamente, assim como também a "reduzida necessidade de sono", encontrada tanto no Transtorno Bipolar como em muitos casos de TDAH. A mesma dificuldade de diagnóstico aparece quando consideramos o fenômeno da "fuga de idéias", indício de pensamento acelerado presente tanto no Transtorno Bipolar como no TDAH e traduzido como "dificuldade em manter a atenção".
Confusão pode ainda surgir ao analisarmos o "excessivo envolvimento em atividades agradáveis com elevado potencial de conseqüências dolorosas", comum no Transtorno Bipolar, contra a "impulsividade" no TDAH. Outras características desses transornos que se superpõem são os prejuízos nos relacionamentos sociais e familiares, no desempenho escolar e na auto-estima.
No entanto, apesar da considerável sobreposição de sintomas entre essas duas patologias, alguns critérios revelam um bom poder de discriminação entre elas. No maior estudo bem-controlado existente até o momento, Geller e colaboradores examinaram 60 crianças com Transtorno Bipolar e 60 com TDAH e verificaram que a elevação do humor ocorreu em 87% das crianças com Transtorno Bipolar e em apenas 5% daquelas com TDAH. O sentimento de grandiosidade ocorreu em 85% das crianças com Transorno Bipolar versus 7% das com TDAH. Diminuição da necessidade de sono, fuga de pensamentos e hiper-sexualidade também foram relatados como sendo muito mais comuns no Transtorno Bipolar do que no TDAH.
Mas, mesmo com essas observações, as distinções clínicas são bastante complicadas pelo fato de que, tanto o Transtorno Bipolar quanto o TDAH, são altamente comórbidos com outras alterações, tais como o Transtorno de Desafio e Oposição ou os Transtornos de Conduta. Além disso, o TDAH é bastante comum em jovens com Transtorno Bipolar.
O seguimento desses pacientes, a história familiar bem detalhada (ambos são transtornos hereditários) e a presença ou ausência de episódios discretos de mania são pontos-chave na definição diagnóstica. O TDAH é o mais comum na infância, ocorrendo em 3 a 5% dessa população e, ao contrário, somente 20% dos adultos com Transtorno Bipolar iniciam seus sintomas antes dos 19 anos e, em apenas 0,5% deles, antes dos 10 anos. Se 22% das crianças que têm TDAH evoluem com Transtorno Bipolar, isso significa 0,88% de prevalência, ou seja quase a totalidade deste quadro (a prevalência do Transtorno Bipolar é, em média, 1 %).
Nos exames por imagem do cérebro, embora haja alguma sobreposição de comprometimento, tais como em áreas do cerebelo e gânglios basais, os achados são divergentes, especialmente nas regiões temporal e medial, as quais estão alteradas no Transtorno Bipolar e normais no TDAH.
Em termos de tratamento, o Lítio, a carbamazepina e o valproato são largamente utilizados como estabilizadores de humor na esfera pediátrica, embora só o primeiro tenha aprovação pelo FDA para o Transtorno Bipolar em crianças e adolescentes acima dos 12 anos, com suporte de poucos estudos clínicos existentes. Para o TDAH, o uso de estimulantes, tais como o metilfenidato, a dextroanfetamina e a associação dessa com a anfetamina são as drogas mais usadas, com eficácia elevada. Respostas ausentes ou atípicas devem suscitar uma reavaliação diagnóstica.
A Eficácia do Lítio na Mania e na Terapia de Manutenção do Transtorno BipolarO Lítio foi introduzido em 1949, como tratamento para a mania, sendo essa, ainda, a mais forte evidência de sua eficácia. Alcançou resultados consistentemente melhores no tratamento da mania do que os neurolépticos e a carbamazepina e resultados equivalentes aos do divalproato de sódio. Sua eficácia na Depressão Bipolar permanece estudada de forma limitada. O Lítio fornece, também, benefícios na profilaxia.
Evidências convergentes de estudos clínicos e em animais indicam que um dos principais efeitos comportamentais do Lítio é a redução da atividade motora. O Lítio está sendo cada vez mais utilizado em regimes combinados de tratamento, permitindo assim, o uso de doses menores e mais bem toleradas, e com benefícios adicionais. A evidência mais forte da eficácia do Lítio ocorre no tratamento da Mania Aguda.
Diversos estudos controlados por placebo foram positivos. 0 Lítio foi comparado a antipsicóticos e anticonvulsivantes no tratamento da Mania e considerado consistentemente superior às drogas antipsicóticas em ensaios randomizados e duplo-cegos. No maior estudo controlado sobre o uso do Lítio na mania, e o único com grupo paralelo, o Lítio foi comparado ao anticonvulsivante divalproex e ambas as drogas foram significativamente superiores ao placebo. Esses resultados são particularmente dignos de nota, tendo em vista que os pacientes estavam gravemente doentes, com mais de um terço deles apresentando sintomas psicóticos. Nenhum neuroléptico foi permitido, e apenas lorazepam ou hidrato de cloral puderam ser associados durante os primeiros dez dias do estudo.
Em outra comparação randomizada cega do Lítio com o valproato, as drogas foram igualmente eficazes, com melhora moderadamente maior, ainda que não significativa, entre os pacientes tratados com Lítio. No pequeno número de comparações com a carbamazepina, o Lítio foi superior ou, no mínimo, igualmente eficaz. Esses estudos não foram controlados com placebo. O Lítio foi considerado superior ao bloqueador de canais de cálcio verapanil, no único estudo comparativo randomizado.
A resposta dos quadros agudos ao Lítio parece ser do tipo tudo ou nada, ou seja, a maioria dos pacientes responsivos apresenta grande controle do quadro, enquanto os não-responsivos pouco se modificam. Os fatores associados com boa resposta são o uso prévio positivo, a sintomatologia maníaca pura e de gravidade leve a moderada, poucos episódios polares, a ausência de cursos de ciclos rápidos, de sintomatologia psicótica, de abuso de drogas e de comorbidades.
As evidências da eficácia do Lítio no tratamento de manutenção do Transtorno Bipolar também são fortes. Diversos estudos controlados por placebo foram positivos. O Lítio foi comparado a antipsicóticos e anticonvulsivantes e considerado consistentemente superior ou, no mínimo, igual às drogas antipsicóticas, em ensaios randomizados e duplo-cegos.
Em estudos controlados, o Lítio foi comparável ao anticonvulsivante divalproato de sódio, em termos de eficácia, porém com taxa de descontinuação superior. No pequeno número de comparações com a carbamazepina, o Lítio foi superior ou, no mínimo, igualmente eficaz. Análises longitudinais também falam a favor da eficácia do Lítio na profilaxia do Transtorno Bipolar.
Os fatores associados com boa resposta ao uso crônico são uso prévio positivo, sintomatologia maníaca pura e de gravidade leve a moderada, poucos episódios polares, litemias maiores ou iguais a 0,8 mEq/L, ausência de cursos de ciclos rápidos, de sintomatologia psicótica, de abuso de drogas e de comorbidades.
Em termos de ação sobre suicídio, o Lítio, em metanálise dos diversos ensaios clínicos, mostrou redução de cerca de sete vezes na ocorrência desse quadro, com alto significado estatístico. Nenhum outro fármaco demonstrou essa ação, até a atualidade.
0 Lítio tem uma dose tóxica superior a 3,0 mEq/L, enquanto que a dose terapêutica situa-se entre 0,8 e 1 ,2 mEq/L, e isso traz algum cuidado no manuseio. A incidência de descontinuação precoce tem se mostrado elevado, em decorrência da tolerabilidade, o que tem sido observado em ensaios abertos. Alterações cognitivas, dificuldades motoras, tremores, ganho de peso e anormalidades gastrintestinais são os efeitos mais comuns. As estratégias mais utilizadas, nesses casos, são modificar a formulação, reduzir a dosagem, associar com outras drogas ou modificar para outro agente terapêutico.
O Lítio na Depressão Unipolar e na Prevenção do SuicídioA depressão unipolar é uma grave doença recorrente, com elevada morbidade, ao longo da vida e mortalidade prematura por suicídio. Após um episódio de depressão que respondeu ao tratamento, os pacientes necessitam de continuidade do tratamento por um período considerável de tempo para prevenir recidivas.
A maioria dos autores, em consenso, recomenda um período de cerca de seis meses de tratamento, após a recuperação clínica, mas muitos já estão optando por um ano ou mais. Enfatizam, também, que esse período é arbitrário e que o final do período de manutenção necessário pode apenas ser determinado por tentativa e erro, isto é, pela interrupção do tratamento e observação do paciente para ver se há recidiva.
As declarações de consenso reconhecem atualmente que, se os pacientes tiverem apresentado dois ou três episódios prévios, as chances de nova recidiva são tão grandes que o tratamento de manutenção deve se estender por prazo mais prolongado ou, quiçá, pela vida toda.
Numerosos ensaios duplo-cegos, controlados por placebo, demonstraram que o Lítio é muito eficaz na redução das recidivas, quando administrado como terapia de manutenção. Ele é também muito eficaz quando administrado como terapia de manutenção, após a eletroconvulsoterapia. Pode ser administrado uma vez por dia, à noite, e ensaios controlados mostraram um nível plasmático de Lítio em 12 horas entre 0,5 e 0,7 mmol/L, como sendo o mais eficaz, com poucos efeitos colaterais.
A redução da morbidade afetiva e da hospitalização em pacientes com litemias < 0,79 mEq/L foi de 34,2% ( p < ,05 ). Estudos de longa duração sobre tratamento de manutenção com Lítio mostram baixa freqüência de suicídios: 1,3 suicídios por 1.000 pacientes/ano. Esse número é muito menor que o de estudos comparativos de longa duração, da depressão não tratada, que mostram cerca de 5,4 suicídios por 1.000 pacientes/ano.
Lítio no Tratamento da Depressão BipolarOs transtornos bipolares tipos I e II afetam, aproximadamente, 0,8% e 0,5% da população adulta, ao longo da vida. O termo Depressão Bipolar refere-se a um Episódio de Depressão Maior que ocorre num paciente que preenche critérios para Transtorno Bipolar tipos I ou II. Nesses quadros, tais episódios são freqüentemente caracterizados por períodos de duração mais breve, quando comparado àqueles da depressão, seja unipolar ou bipolar, e podem envolver início mais rápido, anergia, lentificação psicomotora e sintomas neurovegetativos reversos (hipersonia e hiperfagia).
A história familiar de Transtorno Bipolar e Episódios Depressivos de início precoce são indicadores de que o paciente com depressão possa estar sob risco de Transtorno Bipolar, incluindo hipomania ou mania induzida por antidepressivos.
As fases depressivas do Transtorno Bipolar podem ser muito incapacitantes. Com base em um seguimento de 18 meses, Keller e colaboradores notaram que a probabilidade do paciente permanecer doente por um ano ou mais foi de 7% para pacientes com Mania, comparado com 22% para pacientes com Depressão.
Ampla gama de estudos mostra que 25 a 50% dos pacientes bipolares tentam o suicídio, pelo menos, uma vez. Em uma revisão de estudos de seguimento, 15% dos pacientes cometeram suicídio. Esta taxa é pelo menos 30 vezes superior à taxa encontrada na população geral.
Embora não seja tangível nem ético conduzir estudos duplo-cegos sobre a redução de suicídios, a evidência maciça mostra redução na morbidade no tratamento com Lítio e sugere o tratamento sistemático em longo prazo com Lítio na Depressão Unipolar, a fim de reduzir consideravelmente a taxa de suicídio. Os psiquiatras devem ser treinados para serem capazes de prolongar ao máximo o período de uso do Lítio, pois o seu benefício vale a pena.
O tratamento da Depressão Bipolar representa uma área relativamente pouco estudada na psiquiatria clínica. Os autores revisaram as evidências atuais para o manejo da Depressão Bipolar. As referências para essa revisão foram obtidas através de pesquisas pela MEDLINE da literatura médica em relação a assuntos pertinentes ao tratamento da Depressão Bipolar. Os termos de pesquisa incluíram Depressão Bipolar, antidepressivo e Transtorno Bipolar. Apenas publicações em inglês foram revisadas.
O Lítio pode ainda ser apropriado para o tratamento inicial para a fase depressiva do Transtorno Bipolar, obtendo-se respostas ao redor de 79%. Outros estabilizadores do humor demonstraram também eficácia em pesquisas preliminares. Os anticonvulsivantes também têm sido pesquisados com esse intuito, como por exemplo, a Carbamazepina cujo efeito antidepressivo é algo inferior ao Lítio, podendo ser potencializada por esse; o Valproato de Sódio (ou Ácido Valproico), que parece ser mais eficaz no tratamento da Mania do que no da Depressão, com um efeito antidepressivo fraco a moderado; a Lamotrigina, que apresenta resultados preliminares promissores e a Gabapentina, que poderá vir a ser uma opção de segunda linha para essa indicação.
Dentre os antidepressivos, os inibidores seletivos da recaptação da serotonina podem estar associados ao Lítio com menor risco de indução de hipomania, mania e ciclagem rápida, em comparação aos antidepressivos tricíclico. Os inibidores da monoaminoxidase devem ser considerados como escolha em pacientes com Depressão Bipolar Anérgica.
A terapia eletroconvulsiva mostrou ser muito eficaz em pacientes com quadros graves e com risco de suicídio ou alterações psicóticas. As demais formas de tratamento, incluindo psicoterapia, privação de sono, fototerapia e drogas mais modernas, necessitam ainda de pesquisas adicionais.
Embora o tratamento da Depressão Bipolar possa ser uma tarefa clínica difícil, os esquemas de tratamento estão se tornando mais numerosos e adequados. Pesquisas adicionais, especialmente sob forma de ensaios randomizados controlados, são necessárias.
O Lítio parece diminuir a chance de demência
Tem sido cada vez mais cogitado que o lítio teria capacidade neuroprotetora, reduzindo assim o risco de desenvolvimento de demência na senilidade. Algumas conclusões puderam ser extraídas de um estudo de comparação entre todos os pacientes que receberam lítio em tratamento psiquiátrico na Dinamarca entre janeiro de 1995 e dezembro de 2005 (10 anos) e uma amostra aleatória da população geral.
Tal estudo avaliou 16.238 pacientes que compraram lítio nas farmácias da Dinamarca em comparação com 1.487.177 pessoas da população geral que não compraram essa substância.
As pessoas que continuaram comprando o lítio, indicativo de que continuaram o tratamento à base dessa substância, a taxa de demência de Alzheimer diminuiu até ao nível da população geral. O mesmo não se observou com compradores de anticonvulsivantes. O trabalho concluiu que a taxa de demência manteve-se a mesma da população geral em pessoas com tratamento continuado com lítio.
Outros estudos mostraram que o lítio pode ser útil no tratamento da Doença de Alzheimer. Investigações experimentais mostraram que o lítio é capaz de induzir maior produção de uma proteína neurotrófica protetora, BDNF, a qual se encontra diminuída em portadores da Doença de Alzheimer.
Esse estudo acompanhou variações nos níveis de BDNF durante 10 semanas. Pacientes com Alzheimer e tratados com lítio tiveram um aumento nos níveis de BDNF e melhora na cognição. O aumento de BDNF teria um efeito neuroprotetor, melhorando assim o déficit cognitivo próprio dessa doença.


Texto baseado na Resenha de Neuropsiquiatria, resumo dos artigos da revista Journal Clin Psychiatry, 2000: 61 (sup 9) dos autores: Alec Coppen, Charles B. Nemeroff, Charles L. Bowden, Jai N. Giedd, Jair C. Soares e Samuel Gershon, Kay R. Jamison, Michael T. Compton, Robert H. Lenox
Farmácia


para referir:
Ballone GJ, Moura EC - Lítio e Litioterapia, in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2008.

Blog Passe na OAB faz denúncia sobre o XIII Exame de Ordem


Porto Alegre/RS - O site Justiça em Foco repercute abaixo matéria publicada no respeitado Blog Passe na OAB, do advogado, professor, palestrante e escritor, Marcelo Hugo da Rocha, site no ar desde 2008.
  
O Blog Passe na OAB denuncia um membro da Coordenação Nacional do Exame da OAB, que teria aceitado um convite para participar de um evento particular com finalidades lucrativas, com relação ao XIII Exame.
  
Antes do fechamento desta matéria o site Justiça em Foco,  enviou dois e-mails ao membro da Coordenação Nacional do Exame da OAB, o primeiro em 3 de abril e o segundo no dia 7, para ouvir sua versão dos fatos. Não recebendo nenhuma resposta.  

Em respeito aos nossos leitores, abaixo a matéria publicada no Blog Passe na OAB:

"DENÚNCIA GRAVE que compromete o XIIIº Exame da OAB!
Postado em: 3 de abril de 2014

Prezados amigos, recebi uma GRAVÍSSIMA DENÚNCIA a partir da divulgação pelas redes sociais da promoção de um encontro de um curso preparatório do RJ com seus professores a ser transmitido, a partir de Fortaleza/CE, para todo o país, em vista da prova do dia 13 de abril do XIIIº Exame Unificado, que o Membro da Coordenação Nacional do Exame de Ordem, Dr. Valdetário Monteiro seria um dos palestrantes.

No entanto, observem, que segundo o art. 2º do Provimento 144 da OAB, “É criada a Coordenação Nacional de Exame de Ordem, competindo-lhe organizar o Exame de Ordem, elaborar seu edital e zelar por sua boa aplicação, acompanhando e supervisionando todas as etapas de sua preparação e realização, bem como apreciar a arguição de nulidade de questões, deliberar a esse respeito e homologar as decisões pertinentes”.

Vejam bem, além da lisura que o exame exige, bem como da falsa impressão que pode gerar de um membro oficial estar “vinculado” a determinada marca ou marcas comerciais, temos o art. 10 do próprio provimento referido.

Art. 10. É vedada a participação de professores de cursos preparatórios para Exame de Ordem, bem como de parentes de examinandos, até o quarto grau, na Coordenação Nacional, na Banca Examinadora e na Banca Recursal.

No momento que um INTEGRANTE da Coordenação Nacional aceita o convite de participar de um evento PARTICULAR, pois custa R$ 35,00 o ingresso, além da valorização e divulgação das marcas empreendidas na realização desse “gabaritando a OAB”, a regra acima está sendo VIOLADA literalmente.

Mesmo que seja apenas a “abertura” do evento, conforme fui informado pela denúncia, caracteriza afronta ao Provimento e compromete a transparência do XIIIº Exame Unificado, criando um procedente perigoso para que outros membros da Coordenação Nacional sejam “aliciados” para abrirem eventos similares (e disputados com boas remunerações) por grande cursos preparatórios.

Pode ser que a palestra seja apenas para dizer “boa sorte” (apesar da imagem abaixo parecer ser uma aula), mas cria a expectativa e gera desconfiança geral, e se tratando de exame da OAB, qualquer vírgula é muito mal interpretado por todos, principalmente, por quem está há exames sem conseguir a aprovação!

Segue a imagem e tirem suas conclusões [retirei os nomes das empresas envolvidas para justamente não divulgar o evento a qual repudio].